Como se eu fosse uma flor, você me rodeou pousando sobre mim como se deve. Delicada presença em minha vida no meio do salão, bailando leve.
Sei o que você veio buscar na flor. Sem que eu percebesse, para que assim eu não te detivesse, bateu a asa vampira tornando quase eternidade a vida curta de uma borboleta breve.
Manhã de 16 de maio.Marcadores: Poesias
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Lição de Outono
Uma chuva não oblíqua, mas incidente, cai sobre a noite de outono no Rio de Janeiro.
Meu desamparo não se atreve a botar o focinho na porta de casa. Sabe que essa água ampara, aquieta, aquece o invisível ninho.
Porque mesmo em apartamento, hotéis e estalagens, sempre houve um som de chuva estalando serelepe no meu telhado.
Quando chove, ajeito-me na cama e para qualquer lado.
Tudo é aconchego, dança, sono, acalanto, bailado.
O derrame da água em forma de pingos me ensina a reunir minhas partes, minhas frações, me sugere conjunto onde houver baque, choque, cisão.
A renda líquida da chuva de outono enfeita minha varanda, sua música me protege, é meu cortinado. A chuva emenda trincados e quem duvidará da unidade de um temporal?
Estala, chuva amiga, aprende alma: se parte, é cristal.
Madrugada, 29 de outono, maio de 2009.Marcadores: Outono, Poesias
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